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Força de trabalho e economia

13 de dezembro de 2014
Ruas movimentadas

Trabalho é algo mutável ao longo do tempo. Pode não parecer para quem olha sob o prisma de uma única geração. Mas no longo prazo ele muda, e bastante. Atividades que existiam no passado deixaram de existir e novas as substituíram. Ferreiros foram importantes um dia, numa época em que engenheiros de software significavam coisa nenhuma.

Esses movimentos evolutivos naturais da economia e da sociedade têm maior impacto quando acontecem com a velocidade que experimentamos atualmente. As sucessivas rupturas na economia global e os avanços tecnológicos fizeram com que as alterações fossem mais bruscas. Tão bruscas que muita gente se sente incapaz de se preparar para elas.

Uma pesquisa feita pela Kaiser Family Foundation, em conjunto com o NYT e a CBS, tentou mapear a massa de desempregados entre 25 e 54 anos nos EUA. Os resultados mostram que algumas pessoas simplesmente deixaram de procurar emprego. Entre as razões para estarem desempregados, 41% apontam como uma das razões – mais de uma podia ser escolhida – a falta de bons empregos. A falta de educação e de habilidades é apontada por 38%. Os empregos mudaram, as pessoas não.

Por outro lado, ficar desempregado já não é uma situação tão ruim. Os novos modelos familiares – menos casamentos, menos filhos – implicam que em muitos casos a pessoa não precisa sustentar um lar com filhos. Tem obrigação para consigo mesma e mais ninguém. Some-se a isso o fácil acesso a relacionamentos sociais online e o aumento, em escala global, de programas que beneficiam desempregados, e o resultado é uma menor força de trabalho.

O impacto é nefasto. Riquezas são geradas por trabalho, ainda que evolutivamente sejam necessárias menos horas para gerar o mesmo valor que há dez anos. Se as pessoas não trabalham, não há economia. Não apenas há menos pessoas interessadas em trabalhar: nos EUA, Europa e países mais desenvolvidos da América Latina e Ásia, há menos pessoas. Ponto.

Assim, a balança econômica deverá pender para regiões como o Oriente Médio e o subcontinente indiano. Lá, os ventos do pós-familiarismo e suas baixas taxas de fecundidade ainda não deram as caras. Dificilmente darão tão cedo, por razões religiosas e culturais. As novas grandes corporações serão dessas regiões, como resultado direto do trabalho humano, cada vez mais escasso no Ocidente.Para corporações interessadas em sobreviver no longo prazo, será preciso adaptar-se a nova lógica do trabalho mundial. Nas próximas décadas estas duas regiões serão as grandes exportadoras de mão de obra para o restante do mundo. Quer seja por meio de outsourcing local – de manufatura ou serviços –, quer seja pela simples migração. .

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