Notícias

Rótulos sociais e tendências de consumo

5 de dezembro de 2014

Nos anos 1940 surgia nos Estados Unidos, e anos mais tarde no Brasil, uma noção que hoje parece bastante comum, a ideia da adolescência. Até o início da Segunda Guerra Mundial, ou se era criança ou adulto. O meio termo, os “teen-ages” (como a palavra era inicialmente grafada), eram território que, dependendo do status social ou da região geográfica, podiam ser partilhados entre a infância e a vida adulta. O conceito, até certo ponto inventado, criou mercados para produtos até então inexistentes.

Hoje, a sociedade passa por alterações semelhantes, mas no que diz respeito a gênero. A concepção de masculino e feminino está sendo gradualmente substituída para abranger uma série de outras definições – transgêneros, homossexuais, bissexuais, gender benders, etc. Como no caso da adolescência, o conceito não obedece barreiras biológicas, mas de inserção social e definição do indivíduo em grupos.

Como aconteceu com a adolescência, a rotulação cria possibilidade de novos mercados de consumo. Se há um nome, fica mais fácil de definir como abordar o consumidor dentro de um estrato social. Tome-se o exemplo, novamente, dos adolescentes: seu poder de compra em escala global é estimado em US$ 1 trilhão. Obviamente, muitas indústrias focam nesse grupo social e obtêm bons resultados com essa estratégia. Mas até que se consolidasse a ideia de adolescência, uns poucos produtos pioneiros se beneficiaram do fato de serem os primeiros a ganhar as graças do grupo de consumidores. Coca-Cola, rock ‘n roll, jeans e tênis são os exemplos mais claros.

Mas e nesse novo universo multigêneros, quem irá largar na frente? Quem oferecerá maquiagens para homens que queiram se parecer com mulheres? Sapatos de salto com tamanho acima de 42? Vestidos e lingerie adequados para a genitália masculina? Isso só para citar exemplos no segmento da moda e voltados para apenas um dos movimentos de gênero: travestis.

Para as empresas que querem estar à frente, preparadas para o futuro, é bom abandonar o conservadorismo e pensar além dos preconceitos, das concepções de como a sociedade deveria ser e sim em como ela será. Agarrar-se ao presente e negar o futuro é a receita para perder mercado.

ÚLTIMOS TWEETS

ASSINE NOSSA NEWSLETTER

Insira seu endereço de email na caixa abaixo. Você receberá nossa newsletter uma vez por semana.

Termos de uso   |   Política de privacidade

Entre em contato

Você pode nos contatar pelo email, telefone ou no endereço abaixo.

© Copyright 2013 Link Estratégia. Design by Adrian Purdila